Arquitectura e design
Casa Aires Mateus: do velho se faz novo
Joaquim Paulo

O projeto Casa Aires Mateus, em Alcobaça, é um exemplo vivo de como uma reconstrução pode, efetivamente, tornar novo aquilo que é velho.

20 Agosto, 2018

Casa Aires Mateus: do velho se faz novo


O trabalho dos irmãos Aires Mateus é reconhecido além-fronteiras e a ligação à cidade de Cister bem antiga, dado que Manuel e Francisco trabalharam com Gonçalo Byrne, o mesmo que foi responsável pela requalificação da envolvente do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça e da marginal de São Martinho do Porto. Talvez por isso tivessem tanto cuidado com o projeto que assinaram, em 2013, na cidade, e que assim descrevem: "A casa que se desenha no centro histórico de Alcobaça é registo de vários tempos: Um pequeno edifício reconstruído para perpetuar a escala vernacular mais recorrente, e um muro criteriosamente desenhado para albergar uma serena extensão. No edifício antigo trabalha-se um vazio a partir da espessura modelada das suas paredes periféricas. Liberta-se uma coluna de vazio que recebendo luz por um lanternim a oferece a uma nova atmosfera protegida e privada. Os compartimentos surgem como adições interiores, relacionando-se com o exterior através de aberturas reinterpretadas nas fachadas, mas definido e criando um espaço interior inesperado."


A Casa Aires Mateus resulta da ampliação de uma velha casa que vivia paredes-meias com o Baça e que ganhou um novo desenho com a obra efetuada. Os muros que rodeiam a propriedade visam garantir a gestão do espaço e conferir-lhe uma outra dimensão visual, que se consegue com a "ocupação de uma diferença de cotas, entre o nível de chegada da rua, e um jardim que se gera e se relaciona com o rio Baça". "O perímetro do novo muro define pátios que mediam a escala do gesto contemplativo com o exterior. As zonas sociais, sem obstáculos, funcionam como um contínuo espacial que se estende e difunde entre os dois tempos do desenho", frisam os autores do projeto.


Segundo a revista parqmag.com, o "edificado estende-se em três andares num terreno desnivelado e destaca-se pelo caráter cúbico, pela sobreposição de uma linguagem minimal sobre as formas arcaicas, para além do efeito monocromático vibrante do branco. O efeito cénico das formas com múltiplas perspectivas é excelente". 


"As novas janelas são estreitas e verticais cortam o edifício antigo mostrando a espessura das paredes existentes. Toda a restante luz natural parece vir do interior de pequenos pátios. O edifício desenvolvido em diferentes níveis faz com que a entrada ao nível da rua se faça pelo segundo piso que conduz depois ao primeiro ou nível inferior, esse todo desenvolvido em torno da zona verde a paredes meias com um rio que passa a poucos metros em baixo", pode ler-se num artigo publicado por aquela magazine sobre a Aires Mateus - Casa de Alcobaça. 
 

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