Onde passear
O mar, a serra e a cidade de Pombal
Inês Anastácio

O mar, a serra e a cidade. É este o prefácio de uma viagem pelo concelho de Pombal, à boleia da Rede Cultura 2027

24 Maio, 2021

O mar, a serra e a cidade de Pombal

Antes de saíres de casa, prepara uma roupa e uns ténis confortáveis, traz um casaco (vai dar jeito), uma garrafa de água, prepara uma merenda para o almoço (se gostares de piqueniques) e coloca no GPS a direção para a única praia do município de Pombal: a Praia do Osso da Baleia. É lá que aconselhamos o início deste roteiro.

A praia

O nome característico desta praia,  que se encontra situada na bela Mata Nacional do Urso, justifica-se pelo aparecimento de um esqueleto de uma baleia que deu à costa no areal em meados do início do século XX. Mas, não te preocupes que os ossos do mamífero aquático são apenas uma memória antiga das gentes da freguesia do Carriço. 

A paisagem singular faz da Praia do Osso da Baleia um autêntico oásis do litoral que permanece no seu estado selvagem e livre de lojas, restaurantes e alcatrão. As características únicas valeram-lhe, inclusive, uma recomendação da CNN Travel. É desde 1998 uma “Praia Dourada”, quer pelas características geológicas, quer pela fauna e flora que a compõem, e desde 2004 é contemplada com o galardão da bandeira azul.

Enquanto caminhas em direção ao areal, presta atenção a algumas plantas que te rodeiam. São todas bastante características e, tal como o ser humano, adaptaram-se às condições do espaço em que se encontram. É possível que ali encontres camarinhas (podes comer), narcisos das areias, cardos-marítimos, bocas-de-lobo ou pinheirinho-das-areias. Nós tivemos direito a uma visita guiada pela engenheira do Ambiente da Câmara de Pombal, mas podes recorrer ao Google Lens para ficares a conhecer mais da flora da Praia do Osso da Baleia.

A praia caracteriza-se pelas dunas e pelo extenso areal, onde podes aproveitar para desligar da rotina. Se o tempo convidar, não percas a oportunidade de dar um mergulho.

Se tiveres tempo, aconselhamos um desvio à Cooperativa dos Cestinhos da Ilha, onde vais encontrar umas senhoras muito simpáticas que mantêm vivo o artesanato em bracejo, um dos ex-libris daquela freguesia. O bracejo (stipa gigantea) é a principal matéria prima usada para cestas, chapéus, bases para tachos, tapetes e muitas outras peças únicas. Poderás encontrar na cidade, no Museu de Marquês de Pombal, uma das peças mais especiais que estas senhoras fizeram: uma figura do próprio Marquês de Pombal. A Bússola teve a oportunidade de ver a D. Alzira e a D. Idalina a trabalhar a técnica do entrançado, à saída da praia do Osso da Baleia.

 

A serra

Com a barriga a dar horas, segue para a Serra de Sicó, onde poderás fazer um piquenique perante uma vista que te vai cortar a respiração. Caso contrário, procura um restaurante a caminho da Serra de Sicó, porque é para lá que aconselhamos que sigas viagem. 

A Serra de Sicó sugere uma caminhada até ao topo para melhor disfrutar das paisagens cársicas e aproveitar o que a natureza tem para te dar, mas também podes fazer batota e levar o carro. Podes também procurar experiências mais radicais tais como a escalada e a espeleologia.

Situada no sopé da Serra de Sicó, a Aldeia do Vale, de origem medieval, é a mais antiga aldeia habitada do concelho. Preservando um aspeto rústico, apresenta uma arquitetura tipicamente tradicional à base de pedra calcária, com as suas eiras circulares. No lugar podemos encontrar uma capela, um fontanário e um bebedouro para animais do século XX, reedificado em 1997.

Existe uma lenda que vale a pena ser conhecida, a lenda das 7 irmãs. Desta serra é possível ver várias localidades, que justificam este mito. Diz-se que existiam 7 irmãs que viviam separadas e para se verem cada uma delas subia a uma das capelas. Como se encontra a uma altitude bastante alta, era possível verem-se umas às outras, matando as saudades. 

O miradouro que aqui se encontra é o da Senhora da Estrela onde existe também a capela dedicada a Nossa Senhora do Amparo do séc. XVIII, que deves visitar. Mas, para isso, tens de ir a aldeia e perguntar pelos "guardiões da chave" da capela.

Atenção: fotografias deslumbrantes são garantidas no topo da serra, junto ao miradouro e à capela.

 

A cidade

Quando recuperares as forças, aconselhamos que sigas para a cidade. É na Praça Marquês de Pombal que começamos o percurso. A praça, apesar das alterações que sofreu ao longo dos anos, conserva muito do património deixado pela passagem do Marquês de Pombal, de seu nome Sebastião José de Carvalho e Melo, nesta vila (agora cidade), aliás foi numa antiga casa ali localizada que terá falecido.

Na praça poderá visitar o antigo Celeiro (hoje transformado num Museu dedicado à Arte Popular Portuguesa) que recebia os cereais provenientes da Quinta da Gramela, propriedade do Marquês; a Cadeia (antiga Casa da Câmara) que hoje alberga o Museu Marquês de Pombal; e ainda a Igreja de S. Martinho.

O Museu Marquês de Pombal foi construído em 1978, em função da doação de um colecionador de artigos utilizados pelo Marquês, que doou bastantes elementos à autarquia de Pombal. Neste museu o livro mais antigo data de 1771 e encontrarás vários documentos legislativos da época, cartas de lei, manuscritos e  alguns quadros que permitem imaginar como era a vida naquele tempo. 

Apesar de ser mais conhecido pela reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1775, este marquês fez muito mais por este município e por Portugal, que poderás conferir ao visitar este museu. O local mais privilegiado a ver será o escritório do Marquês, onde poderás imaginá-lo a trabalhar. Infelizmente, será difícil encontrares o verdadeiro marquês, mas com um bocadinho de sorte encontrarás o marquês que nos fez uma visita cénica pelo espaço, com a ajuda da sua empregada Josefina. 

Está tudo muito bem organizado e tem muita informação disponível. A entrada é gratuita e encontra-se aberto de terça a domingo, entre as 10 e as 18 horas. Será uma ótima forma de terminar (ou começar) o teu roteiro pela cidade de Pombal. 

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 A Bússola embarcou nos "Roteiros Imersivos: Sabores, Sentires e Saberes" a convite da Rede Cultura 2027.

A Rede Cultura 2027, tendo Leiria como ponto de partida, convoca 25 outros concelhos com um sentido comum: o sentido de, mais do que apenas mais uma candidatura a capital Europeia da Cultura, ser uma efetiva Rede Cultura que vai de Sobral do Monte Agraço, às portas de Lisboa, a 178 km a norte, até Castanheira de Pera, já na fronteira com Coimbra, unindo ainda o litoral popular da Nazaré à história aristocrata do Cadaval, geminando as Torres Novas com as Vedras; e envolvendo 3 Comunidades Intermunicipais, 3 Lugares Património Mundial, 3 Cidades Criativas, 3 Cidades de Aprendizagem e 2 Cátedras da UNESCO.

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