O meu porto de abrigo

O meu porto de abrigo
Pedro Lucas, Jornalista

Tudo se podia resumir a adjetivos ou a uma espécie de endeusamento da terra que, mesmo que possa parecer metafórico, tem por base o lado humano de cada nazareno. É nele que baseio o principal argumento de atração turística como resposta à pergunta que me foi feita: por que é que os portugueses devem vir à Nazaré? O saber receber! De facto, esta gente é de uma afabilidade única. De trato especial. Um nazareno tem uma capacidade inata de tornar rapidamente qualquer turista num elemento da sua família. Que come à sua mesa, se assim for preciso. E esta relação humana não há em muitos lugares do mundo!

A Nazaré é também sinónimo de qualidade de vida, um conceito de valor realmente impagável nos dias de hoje. Praticamente não precisa de circular de carro. Num par de minutos está na praia ou sentado numa esplanada de restaurantes com vista para o mar.

O almoço pode ser peixe grelhado pescado na mesma manhã acompanhado de legumes e vegetais frescos de Valado dos Frades e de Famalicão. A apenas cinco minutos está a praia do norte, onde no verão assume uma componente de família ao melhor estilo da tão propalada Comporta. Pesca, surf, um par de cervejas e um lugar único para ver o pôr do sol é aqui.

A sul do porto de abrigo pode deitar-se sob um tranquilizador som das ondas enquanto viaja nas páginas de um livro ou de uma revista. Se for dia de toiros, os aficionados tem a praça no Sítio da Nazaré, onde uns metros à frente também poderão conhecer a cultura e os genes da nossa gente no Museu Dr. Joaquim Manso. Antes de descer até ao centro da vila pelo ascensor, pode apreciar a vista junto à capelinha - Ermida da Memória – ou até ao afamado farol do Forte de São Miguel Arcanjo.

De volta ao centro, passeie pelas esquininhas no coração da vila e repare nos detalhes de algumas casas típicas. As cores, as portas pequenas, os cheiros, o sotaque... Aprecie a naturalidade com que a mulher da Nazaré lida com fogareiro preto à porta de casa, onde as sardinhas assadas fazem corar qualquer caviar Almas. E se se cruzar com figuras públicas, não se admire. São da telenovela da SIC que está a ser rodada por cá. Ou se calhar são estrelas mundiais do surf de ondas gigantes ou do futebol de praia. São todos. São tantos os que já se renderam à Nazaré. A esta terra que fala a cantar, que é história, que é das sete saias e das ondas gigantes, que é das senhoras que alugam barracas na praia e os quartos das suas casas, que é genuína, que é humana, que é, de facto, um cantinho do mundo.

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