Por Alcobaça

Por Alcobaça
Diana Nicolau, Atriz

Ainda me lembro de celebrar a elevação de vila a cidade e de não entender muito bem porquê, mas de me sentir orgulhosa — a nossa terra ia deixar de ser vila, e ia ser cidade. Acordei no dia seguinte aos festejos, e na escola estava tudo na mesma, as ruas estavam iguais, as rotundas não mudaram de sítio e os patos continuavam a nadar em círculos no jardim do tribunal. 

Aos meus olhos de criança, não tinha mudado nada, mas o sentimento de orgulho estava lá. Essa sensação de que a nossa cidade não é só o lugar físico que nos acolhe mas é como uma figura presente na nossa vida, uma personagem importante na nossa história, que fica connosco mesmo quando a trocamos por outra. O sotaque fica em nós, as memórias das personagens que vemos sempre nas mesmas esquinas, o cheiro do frango assado ao subir aquela rua, o soar dos sinos do mosteiro, o contorno do Castelo no horizonte (mesmo quando alguém de fora insiste que aquilo é só um monte de pedras, nós recusamos a dar-lhe outro nome), as escadas do mosteiro que nos fizeram tropeçar no Carnaval (ou seria a “mine”?). 

E é com orgulho, que se me pedirem um roteiro de um dia por Alcobaça, posso recomendar-vos que aproveitem a manhã no Parque dos Monges, entre animais e atividades desportivas (as crianças adoram e os adultos podem fingir que só lá estão pelas crianças) e quando a fome apertar podem parar no Restaurante Maria José, onde um bom grelhado está sempre garantido. Para “desmoer” o almoço, nada melhor que um passeio no novo Parque Verde e uma café no Parkafetaria à beira do riacho, antes  que a lazeira aperte. 

A clássica caminhada até ao Rossio, que já todos fizemos milhares de vezes, é agora desculpa para repor calorias com um doce conventual e uma ginjinha nas esplanadas em frente ao Mosteiro, que merece uma visita guiada pelas salas imponentes. Ao jantar em qualquer um dos restaurantes de boa fama na cidade, ninguém sai desiludido. Nem de estômago vazio.  

Não podem deixar a cidade sem antes visitar o novo espaço onde a cultura e a criatividade abundam: Ossos do Ofício.  

Os melhores souvenirs são os da Granja de Cister; frutas e produtos locais do melhor que há.  

E tudo isto, explica porque é que quem passa por Alcobaça, não passa sem lá voltar.

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